CAPITAL| Toque de recolher começa a valer nesta quarta-feira (14) - Jornal Correio MS

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14/04/2021

CAPITAL| Toque de recolher começa a valer nesta quarta-feira (14)

Setor entende que além de prejudicar as empresas, restrição tem efeito duvidoso sobre a situação da pandemia

©DIVULGAÇÃO
Campo Grande, classificada hoje na bandeira cinza, a mais severa para o risco de contágio pelo novo coronavírus, não vai precisar baixar nova medida para mudança no toque de recolher. Como já existe decreto estadual estabelecendo o horário das 20 h às 5h para cidades nesse patamar, a mudança já está valendo na Capital a partir desta quarta-feira (14).

A reação foi imediata da parte do comércio, que tem se posicionado contra a restrição de horário, alegando que ela prejudica a economia e não contribui para diminuir a pressão sobre o sistema de saúde.

A reportagem apurou que a Guarda Civil Metropolitana, principal responsável pela fiscalização do cumprimento da medida, já vai trabalhar hoje com a restrição de circulação a partir das 20h.

Pela regra, só pode estar na rua depois desse horário quem estiver trabalhando em setores essenciais, como saúde, segurança, transporte coletivo. Fora disso, a pessoa é orientada a ir para casa.

Só seria necessário um novo decreto se fosse com medidas mais restritivas”, explicou o procurador-geral do Município, Alexandre Ávalo.

A assessoria de imprensa da prefeitura também confirmou o retorno do toque de recolher para as 20h, ao responder que "vale o decreto estadual".

Reação – O empresariado reagiu à alteração com críticas. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) afirmou em nota que a mudança “será ainda mais prejudicial para o setor noturno.

“Por isso, irá buscar junto às prefeituras e ao Governo do Estado ajuda para a reparação dos prejuízos causados ao setor pelas medidas de restrição”, informou a entidade.

Segundo o material divulgado, continua a busca junto à prefeitura de Campo Grande por “isenção do IPTU, taxa de lixo e alvará de localização e publicidade pelo período de 12 meses para o setor de alimentação fora do lar”.

Em relação ao governo do Estado, a reivindicação é de isenção ou redução do ICMS e IPVA, além de programa de incentivo, por meio de crédito para as empresas do setor.

Não está no comércio – A ACICG (Associação Comercial e Industrial) também considera o toque de recolher mais cedo medida desnecessária. Segundo o presidente, Renato Paniago, está clara a necessidade de regras de distanciamento social, mas, ao olhar dele, não é restringindo o funcionamento de lojas que esse objetivo será alcançado.

“É penalizar o comércio, tirar o ganha-pão”, afirma, citando que a maior parte das empresas são pequenas, que funcionam como subsistência de seus donos e dos poucos funcionários contratados.

Para ele, experiências de outras cidades, entre as quais citou Natal (RN), têm mostrado que concentrar o horário de atendimento em poucas horas do dia acaba tendo efeito contrário. Na cidade nordestina, o comércio funcionou 24 horas no fim de ano, e conforme o dirigente da Associação Comercial, ficou demonstrado que seguro para as pessoas.

Ele avalia que o maior risco de pegar a doença está ocorrendo em movimentações caseiras e também em festas desrespeitando os protocolos de segurança.

“A gente entende que é prejudicial para o comércio e não reduz o contágio”.

Por enquanto, não há previsão de reunião entre empresariado e prefeitura, como tem ocorrido a cada vez que muda o toque de recolhe, já que agora a medida já está pré-estabelecida pelo governo do Estado, por meio do Prosseguir (Programa de Saúde e Segurança da Economia).

O mapa - Atualizado hoje, o mapa de risco de contágio para a covid-19 coloca Campo Grande e Itaquiraí em bandeira cinza, com toque de recolher das 20h às 5. As cidades em bandeira vermelha, o horário fica das 21h às 5h, e nas que receberam bandeira laranja, a movimentação fica livre até as 22h e volta às 5h.

Além disso, devem ser seguidos protocolos de lotação máxima de 50% da capacidade dos espaços para festa, além do uso de máscara o tempo todo e distanciamento de 1,5 metro entre as pessoas.

Por Marta Ferreira 

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