Ex-namorado que matou professora é levado para cela com bala alojada na cabeça: 'Foi uma burrice o que eu fiz' - JORNAL CORREIO MS

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03/12/2019

Ex-namorado que matou professora é levado para cela com bala alojada na cabeça: 'Foi uma burrice o que eu fiz'

Homem teve alta médica na Santa Casa e, em seguida, polícia cumpriu mandado de prisão preventiva contra ele em MS.

Professora foi morta a tiros por ex-namorado enquanto participava de festa em MS, diz polícia ©Redes sociais/Divulgação
O homem de 59 anos, que matou a tiros a professora Ângela Maria Jorge, de 62 anos, em Três Lagoas, a 313 km de Campo Grande, teve alta médica e está em uma cela da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) nesta terça-feira (3). Ao G1 a delegada Fernanda Felix, titular da unidade policial, disse que teve uma conversa informal com o suspeito, no qual ele confessou o crime e ainda disse: "Foi uma burrice o que eu fiz".

"Ele está em uma cela da Deam desde o início da madrugada. Foi cumprido o mandado de prisão preventiva do feminicídio e ele, provavelmente, será levado para Três Lagoas, onde ocorreu o crime. Lá a delegada responsável pelo inquérito vai ouví-lo formalmente. Aqui, no entanto, ele conversou e mostrou onde está a bala alojada, além de falar que a vítima é ex-namorada e ele tinha a arma guardando há 20 e tantos anos", explicou Felix.

Na conversa, ainda conforme a delegada, o homem teria dito que é servidor municipal e chegou a atuar como motorista de um prefeito. Ele permaneceu 3 dias internado, sob escolta policial. Conforme a assessoria de imprensa da Santa Casa, o suspeito teve alta médica por volta das 23h40 dessa segunda-feira (2).

Indiciado em flagrante

Poucas horas após o crime, na noite de sexta-feira (29), a Polícia Civil já havia autuado o homem. Na ocasião, ele teria deixado uma carta confessando o que fez e também deu um tiro no ouvido.

"O ex-namorado dela foi autuado em flagrante, porém, ele deu um tiro no ouvido, foi transferido para Campo Grande e permanece sob escolta policial. Nós estamos aguardando, já que ele continua hospitalizado. No decorrer da semana pretendemos ouvir uma testemunha que estava na mesma festa onde estava a vítima", afirmou na ocasião a delegada Patrícia Peixoto, da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Três Lagoas.

Federação dos Trabalhadores emitiu nota de pesar; veja na íntegra:

É com pesar que a FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) e o SINTED Três Lagoas/Selviria comunica o falecimento da Professora/Diretora Ângela Maria Jorge que é mais uma vítima de Feminicídio em Mato Grosso do Sul. Ela foi assassinada com dois tiros no peito e o suspeito é o ex-namorado, Carlos Roberto Felipe, 59, que atirou na própria cabeça.

Infelizmente a professora Ângela Maria Jorge entra para a estatística de Feminicídio do Brasil que é alarmante, após ser morta pelo ex-companheiro.

Em comparação com 2015, ano em que a Lei do Feminicídio foi criada, o aumento foi ainda maior, de 62,7%. Nos dois últimos anos, foram registrados 2.357 Feminicídios, o que significa uma vítima morta por ser mulher a cada oito horas. É o maior registro desse tipo de crime desde que a lei entrou em vigor.

Diante disso, espera-se que a Lei do Feminicídio (13.104) seja colocada em prática, e que as penalidades para esse tipo de crime façam valer o que estabelece a legislação.

Nesse momento difícil para todos nós, pedimos a Deus para que conforte os corações dos familiares e amigos para suportarmos irreparável perda, principalmente aos familiares de nossa colega de trabalho.

A FETEMS reafirma que continuará a lutar pela paz e igualdade de direitos para as mulheres, e repudia veementemente e combate toda e qualquer forma de violência.

Entenda o caso

A mulher foi morta a tiros pelo suspeito, em frente à um hotel da cidade. Pouco tempo antes, testemunhas presenciaram uma discussão e, conforme a investigação, o homem tentou suicídio em seguida.

O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi acionado em seguida e constatou a morte da vítima. Já o homem foi socorrido e levado para o Hospital Auxiliadora. Uma testemunha disse aos policias que a mulher havia pedido que a levasse embora, momento em que o autor disse que ele a levaria.

Segundo a polícia, a mulher recusou e iniciou-se a discussão, momento em que ela foi atingida com dois disparos de revólver no tórax. Em seguida, o homem disparou com a mesma arma na própria cabeça. A testemunha disse ainda que a vítima e autor mantiveram um relacionamento.

No local a polícia encontrou o revólver calibre 32 com munições. Já no carro do homem foi encontrado um bilhete que teria sido escrito por ele, no qual ele confessava o crime dizendo: “...foi pela pessoa que tanto amo, mas não fui correspondido por isso que eu vou, mas ela vai junto”. Os investigadores também apreenderam uma carteira com documentos pessoais e R$ 306.

O caso foi registrado como feminicídio. A pena para este crime pode chegar a 30 anos de reclusão.

Por Graziela Rezende, G1 MS