Agente penitenciário federal matou jovem depois de briga por lugar em fila - JORNAL CORREIO MS

Campo Grande (MS),

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24/09/2017

Agente penitenciário federal matou jovem depois de briga por lugar em fila

Adilson dos Santos foi atingido por tiro de pistola .40 no peito

Delegado Reginaldo Salomão dá detalhes do caso e ao fundo, mãe da vítima chora © Bruno Henrique
Agente penitenciário federal de 33 anos foi quem matou Adilson Silva Ferreira dos Santos, 23 anos, na madrugada de hoje, depois de show no estacionamento do Shopping Bosque dos Ipês. Ele não teve o nome divulgado.

O tiro foi disparado depois que o servidor público federal e Adilson, que trabalhava na Estância Montana na área de limpeza, tiveram desentendimento com relação a fila no banheiro químico. Testemunhas mencionaram que a discussão começou porque um queria ir no banheiro na frente do outro.

Depois de bate-boca, Adilson teria tentado dar um soco no agente, que sacou a arma e disparou contra a vítima, que foi atingida no tórax.

O agente foi preso e levado para delegacia. A arma que ele usava, uma pistola .40, foi apreendida.

O delegado da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, Reginaldo Salomão, explicou que por ser funcionário da segurança pública, o agente tem o direito de entrar armado no local da festa.

"Ele não estava embriagado. Era aniversário do agente e ele tinha saído para comemorar. O agente está chocado porque praticou ato de extrema gravidade e sabe disso. Chorou o tempo todo", detalhou o delegado, durante coletiva.

Para Salomão, o ato do agente pode estar relacionado à memória muscular (relacionada ao treinamento para tiro) e também por conta da situação de ameaças de organizações criminosas que agentes penitenciários federais tem sofrido no país. Neste ano já foram quatro servidores assassinados.

"Estamos trabalhando com pessoas traumatizadas. Ele (agente) sabe que ceifou a vida de uma pessoa de bem. Fez um único disparo", afirmou o delegado.

O inquérito registrado na Depac Centro foi de homicídio doloso e o agente penitenciário federal foi recolhido para cela da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). 

Reginaldo Salomão ponderou que não relacionou a questão da legítima defesa no boletim de ocorrência, mas a informação deve ser apurada em inquérito que será instaurado na 3ª Delegacia de Polícia Civil.

RISCO DE REBELIÃO

No Presídio da Máxima, em Campo Grande, há manifestação de agentes penitenciários hoje e por isso o agente penitenciário federal precisou ser levado para cela especial em uma delegacia.

O delegado da Depac, Reginaldo Salomão, mencionou que a presença do servidor federal na unidade poderia causar uma rebelião.

Está previsto para esta segunda-feira (25) o agente passar por audiência de custódia para ser definido se ele permanece preso.

O CRIME

Depois de show de dupla sertaneja Henrique e Juliano, que aconteceu em Campo Grande, na noite de sábado, Adilson Ferreira dos Santos, 23 anos, foi assassinado ao ser alvejado por suposto agente penitenciário na madrugada de hoje, por volta das 3h.

O crime teria acontecido logo depois que o evento havia terminado. 

O show aconteceu na área do estacionamento do Shopping Bosque dos Ipês, na Capital. O centro comercial emitiu nota de esclarecimento e informou que está colaborando com as autoridades. Ainda ressaltou que o evento foi realizado dentro das normas exigidas de segurança com apoio das Polícias Civil e Militar.

"A administração do Shopping Bosque dos Ipês informa que lamenta profundamente e está colaborando com as autoridades para esclarecimento sobre o incidente com arma de fogo ocorrido durante o show deste sábado (23), do qual resultou uma vítima com óbito", informou a nota.

A mãe de Adilson, Marlene de Souza Silva, disse que não consegue entender o que aconteceu, comentou que teve pouca informação sobre o crime e que o corpo do filho dela ficou entre 3h e 5h no estacionamento do shopping até ser levado para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol).

"Ele comprou o ingresso desse show há quatro meses. Ele é trabalhador, estava me ajudando a assentar os pisos da nossa casa. A gente não sabe o que aconteceu", comentou Marlene na delegacia.

Adilson trabalhava no setor de limpeza na Estância Montana, que é uma chácara usada para realização de eventos.

Fonte: CE
Por: RODOLFO CÉSAR E IZABELA JORNADA