Sobreviventes de naufrágio no Sul do ES nadaram por quase 15 horas - JORNAL CORREIO MS

Campo Grande (MS),

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27/07/2017

Sobreviventes de naufrágio no Sul do ES nadaram por quase 15 horas

Dos seis tripulantes que estavam na embarcação, três foram resgatados. Marinha ainda faz buscas pelos corpos dos outros três pescadores.

Após passar por exames, pescadores seguem em observação no Hospital Menino Jesus, em Itapemirim (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
“Ficamos em cima de uma bobina de madeira até as 3 horas da tarde. Ficamos nadando por quase 15 horas”. A fala é de Marciélio de Souza Rocha, mestre da embarcação Kairós, que naufragou na madrugada desta quarta-feira (26) no litoral do Espírito Santo. Ele e dois pescadores chegaram a Itapemirim, no Sul do estado, na manhã desta quinta-feira (27). A Marinha do Brasil ainda faz buscas pelos corpos de outros três homens que estavam no barco.

Os pescadores foram encontrados a cerca de 80 quilômetros da costa, na altura da cidade de São João da Barra, no Rio de Janeiro. Foram mais de 15 horas de viagem até chegar a Itapemirim, às 6h30 desta quinta. Eles passaram por exames e seguem em observação no Hospital Menino Jesus, no município.

Os sobreviventes contaram que, por volta da meia noite, a embarcação bateu em algo que perfurou o casco do barco. Em seguida, acionaram via rádio outras embarcações pedindo por socorro. O drama aumentou quando a ajuda não chegou, o barco virou e todos se apoiaram a uma bobina de madeira.

“Graças a Deus saí nadando. Me segurei em um bojão de gás. Fui nadando e subi no barco. Mas uma onda me tirou. Abandonamos o barco e fomos nadando. Usei uma mochila para salvar meus documentos, tinha uns vidros. Foi o que ajudou a boiar. Pedia a Deus e oramos bastante”, revela o pescador Edmilson Veiga.

Horas mais tarde, a fadiga abateu três dos tripulantes, os mais jovens. Pablo Souza Amaral, de 22 anos, Wanderson Batista Gomes, 18 anos e Cleidson, de 19 anos. Segundo os sobreviventes, eles não resistiram ao frio e às condições extremas de cansaço. Para ele, manter a tranquilidade foi fundamental no momento mais difícil.

“Os meninos começaram a se afobar e tomar aquela água salgada. Também estava muito frio. Só pensava em Deus enviar uma embarcação para nos tirar daquele sofrimento. Minhas pernas paralisaram e eu não tinha força. Já estava pensando em me entregar. Os amigos disseram para eu lutar, não me entregar”, disse Veiga, emocionado ao lembrar dos jovens.

O também sobrevivente Jaciélio de Souza, irmão do mestre da embarcação Kairós, falou sobre o alívio ao ver a embarcação Laizinha II, que os resgatou. “A salvação foi essa embarcação. O helicóptero já estava indo embora. Quando vi o barco fui nadando até eles. Bati forte com os pés na água para verem o reflexo no sol. Um pescador no barco gritou. Quando ele acelerou o barco foi um alívio”, relembra.

Resgate

Segundo a Marinha do Brasil, a embarcação "Laizinha II" foi usada no resgate dos três sobreviventes. Nesta quarta-feira (26), uma operação de busca e salvamento foi montada, mobilizando o Navio-Patrulha “Macaé”, sediado no Rio de Janeiro, uma lancha com equipe de salvamento da AgSJBarra e um helicóptero da força aeronaval, além embarcações pesqueiras que encontravam-se na área.

As buscas pelos três pescadores desaparecidos continuam, segundo a Marinha. Eles moravam na localidade do Gomes, interior de Itapemirim. As causas do acidente e as responsabilidades serão apuradas em Procedimento Administrativo instaurado pela Marinha do Brasil.

Por Beatriz Caliman, A Gazeta