Polícia defende que não houve preconceito no caso da musicista morta em motel - JORNAL CORREIO MS

Campo Grande (MS),

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31/07/2017

Polícia defende que não houve preconceito no caso da musicista morta em motel

Delegado disse que o estupro ainda não está descartado e pode ser incluído no relatório

Delegado Macedo diz que todas as linhas de investigação foram consideradas © Valdenir Rezende
Sobre o caso da musicista Mayara Amaral, 27 anos, que foi morta a marteladas em quarto de motel da Capital, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) foi criticada em perfis das redes sociais e por alguns representantes que defendem a causa e lutam contra o crime de feminicídio. A própria irmã de Mayara, Pauliane Amaral, foi a primeira a publicar postagem criticando, segundo ela, a declaração do delgado Tiago Macedo, quando ele disse que Mayara consentiu em ter relação sexual com os dois assassinos, antes de ter sido morta. Diante das críticas, a corporação escreveu nota esclarecendo a ação da polícia. 

O delegado afirmou que o estupro ainda não está descartado e pode ser incluído no relatório final da polícia. Por enquanto, segundo ele, a investigação aponta para latrocínio. "Estão cogitando feminicídio. É plausível? É, mas, no momento, não. Vai depender da comprovação do laudo e do relatório final", disse o delegado. 

Em resposta as manifestações acerca do crime que aconteceu no dia 24 de julho, a polícia alega que desde as primeiras diligências realizadas no intuito de encontrar o cadáver, todas as linhas de investigações foram consideradas pela autoridade policial, até mesmo o crime de feminicídio, considerado crime de ódio baseado no gênero, amplamente definido como o assassinato de mulheres.

Na ocasião da prisão dos autores, que foram pegos em flagrante, o crime foi tipificado com latrocínio, roubo seguido de morte, cuja pena mínima é de 20 anos de reclusão e a pena máxima, 30 anos de reclusão, e se mantém até o momento, porém, segundo a corporação, todas as linhas de investigação estão sendo consideradas. 

De acordo com a Polícia Civil, não houve nenhum preconceito ou relutância da corporação em registrar o crime como feminicídio, atuando de forma imparcial e livre de preconceitos de gênero.

A nota da polícia continua justificando o por quê do enquadramento do crime, onde a fundamentação é resultado das apurações preliminares e que justificaram a prisão em flagrante. O que ocorreu, no caso em apreciação, é que as provas colhidas nos primeiros momentos da investigação criminal indicaram que a morte foi motivada pelo roubo.

Esta tipificação consta no rol dos crimes hediondos e tem como proteção não só o patrimônio, mas a vida, em decorrência dos indícios constatados naquela oportunidade, quais sejam, a confissão de um dos autores de que o delito foi planejado visando o roubo dos bens e o fato deles terem sido encontrados pela polícia já partilhados entre os indiciados.

“A gravidade dos fatos, a barbárie cometida, conforme ressaltado pela autoridade policial que presidiu a prisão em flagrante, impõe tão severa tipificação penal (o crime de latrocínio é o mais grave da legislação penal em vigor)”, de acordo com trecho da nota. 

Todos os autores foram presos em flagrante. As investigações prosseguem perante a Delegacia Especializada de Furtos e Roubos e Veículos (Defurv).

A investigação segue em curso e será concluída até a próxima sexta-feira (4), quando o inquérito policial será encaminhado para a Justiça.

ENTENDA O CASO

A jovem Mayara Amaral, de 27 anos, que era formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Música e concluiu mestrado na Universidade Federal de Goiás (UFG), foi morta a marteladas dentro de quarto de motel da Capital. Os criminosos foram presos após polícia encontrar corpo da jovem na região perto do Inferninho, em Campo Grande. O corpo estava parcialmente queimado, mas foi identificado como sendo uma mulher. 

Na madrugada do dia seguinte, a mãe de Mayara procurou a polícia para relatar sobre o desaparecimento de sua filha, alegando ter recebido mensagem do celular da jovem. Na mensagem, um dos criminosos se passou por Mayara dizendo que brigou com namorado e que estava sendo ameaçada de morte por ele. A intenção deles era incriminar o rapaz, mas, segundo a polícia, ele tinha um álibi forte. 

Após investigações, polícia rastreou o celular da vítima e com isso prendeu os criminosos que já tinham feito partilha dos bens de Mayara. 

Na delegacia, os assassinos, Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, e Ronaldo da Silva Olnedo, 30 anos confessaram o crime. Anderson Pereira, de 31 anos, ajudou a ocultar o cadáver e participou da divisão dos pertences da vítima com os outros dois assassinos. 

De acordo com a Polícia Civil, Anderson e Olnedo têm várias passagens criminais.

Fonte: CE
Por: Izabela Jornada